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Entre os dias 16 e 18 de outubro, o Instituto de Hidrobotânica realizou o IV treinamento sobre tratamento de efluentes com o uso de plantas como Solução Baseada na Natureza (SBN), no município de Miracatú, interior de São Paulo.

 

Segundo Cristiano Budreckas, fitotecnista diretor da Hidrobotânica Ambiental, “a empresa atua no mercado há 25 anos desenvolvendo tecnologia aplicada a SBN, utilizando sistemas naturais de tratamento por meio da biofitorrestauração, quer seja de Jardins Filtrantes, Sistemas de Alagados Construídos (SACs), Sistemas de Alagados Naturais (SANs) e Sistemas de Alagados Flutuantes (SAFs)”. Roberto Ferrari, curador botânico responsável técnico da empresa, com larga experiência em projetos pioneiros pelo Brasil com piscinas biológicas e viveiros de produção de plantas, destaca o viveiro de produção de macrófitas aquáticas, que hoje “conta com 142 espécies e matrizeiro da ordem de produção de 12.000.000 de mudas ao ano”.

Guilherme Sardenberg Barreto, biólogo doutorando do PPG-CiAC, participou desse treinamento, com objetivo de aplicar o conhecimento em projeto que visa estudar o manejo da Typha domingensis (taboa), macrófita aquática com ampla distribuição nas lagoas costeiras de Macaé e região. “A Typha domingensis não está entre as macrófitas aquáticas destacadas no treinamento como mais eficientes na remediação de ambientes e/ou efluentes. No entanto, considerando os preceitos de SBN, temos como desafio trabalhar no ótimo da planta dominante do ambiente, evitando a introdução de espécies não adaptadas às condições locais. A Typha ocupa aproximadamente 20% do espelho d’água da Lagoa Imboacica, por exemplo. São quase 70 hectares dessa macrófita aquática que, se bem manejada, poderá nos ajudar a promover a recuperação do ecossistema eutrofizado”.

As macrófitas aquáticas tem a capacidade de se desenvolver em ambientes impactados e assimilar em sua biomassa nutrientes como Nitrogênio e Fósforo, os principais causadores da eutrofização. Além disso, criam uma zona de raízes favorável ao desenvolvimento de bactérias decompositoras e consumidoras de nutrientes e matéria orgânica. A eutrofização é um fenômeno que impacta negativamente os ecossistemas aquáticos, diminuindo sua biodiversidade e promovendo bloom de algas e cianobactérias, que ameaçam a saúde pública.

Ao final do treinamento, os participantes visitaram o Unique Garden Hotel e Spa, em Mairiporã, onde puderam acompanhar o funcionamento de uma wetland com capacidade de tratamento de efluentes de 600 pessoas. Associado ao tratamento, a concepção de paisagismo cria espaços integrados como os Jardins Filtrantes (fotos), que aproximam as pessoas sem causar qualquer tipo de incomodo, ao contrário, provocam prazer e contemplação.

Foto 1

Foto 1: Doutorando Guilherme Sardenberg Barreto em meio aos jardins filtrantes da Unique Garden Hotel e Spa.

 

O treinamento promovido pela Hidrobotânica Ambiental e a troca de experiências com os profissionais e pesquisadores de diversas áreas do Brasil, dentre eles o engenheiro agrônomo e escritor Harri Lorenzi, reforçam a perspectiva da recuperação de ambientes lagunares impactados e a possibilidade de ampliar a pesquisa com Soluções Baseadas na Natureza pelo Laboratório Integrado de Ecologia Aquática da UFRJ com a instalação de jardins filtrantes no Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade/NUPEM.

Foto 2

Foto 2: Imagem do efluente final tratado nos jardins filtrantes promovido pela fitorremediação.

UFRJ PPGCIAC - Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação
Desenvolvido por: TIC/UFRJ